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Vapor em laticínios: onde a perda se esconde

Num laticínio, o vapor passa por pasteurizadores, tachos, evaporadores, CIP e secadores, e cada um tem seus pontos fracos de drenagem. Mostramos onde a perda costuma estar e um checklist para começar.

Por Ubirajara Bastos28 de setembro de 20266 min de leitura
Estação de distribuição de vapor com válvulas, filtros e painel de controle, com névoa de vapor no ambiente

Minas Gerais é o maior estado produtor de leite do país, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE (2023), e há laticínios em quase todas as regiões do estado, do Centro-Oeste ao Sul de Minas e à Zona da Mata. São plantas de portes muito diferentes, de uma queijaria com caldeira pequena a uma fábrica de leite em pó com secador, mas o vapor tem papel central em todas. Neste artigo percorremos os principais usos do vapor num laticínio e mostramos onde a perda costuma se esconder.

O mapa do vapor num laticínio típico

O vapor sai da caldeira e se divide entre consumidores com exigências bem diferentes:

  • Pasteurização. O pasteurizador de placas normalmente é aquecido por água quente, que por sua vez é aquecida com vapor num trocador ou por injeção. A carga é estável enquanto a linha roda e cai de repente nas paradas.
  • UHT. Pode ser por injeção ou infusão direta de vapor no produto, o que exige vapor de qualidade culinária e filtragem adequada, ou indireta, por trocadores tubulares ou de placas.
  • Evaporação e concentração. Leite condensado, doce de leite em escala e pré-concentração para secagem usam evaporadores, que consomem muito vapor e geram muito condensado.
  • Tachos e tanques com camisa. Doce de leite, requeijão e cozimento de massa de queijo usam equipamentos com camisa de vapor, onde a drenagem do condensado faz diferença direta no tempo de batelada.
  • Filagem. Na mussarela, a água quente da filadora é aquecida com vapor.
  • CIP. As soluções de limpeza são aquecidas várias vezes ao dia, com picos de demanda curtos e fortes.
  • Secagem. No leite em pó, baterias de vapor aquecem o ar do secador e trabalham com grande vazão de condensado.

Onde a perda costuma estar

Camisas e tachos mal drenados

Camisa de vapor com purgador pequeno demais, com purgador de tipo inadequado ou sem eliminação de ar fica parcialmente alagada. O resultado aparece como batelada mais demorada, produto queimando em um ponto e cru em outro, e operador abrindo o by-pass para "ajudar". Esse by-pass aberto vira, na prática, um purgador totalmente aberto.

Purgador coletivo

É comum encontrar um único purgador drenando vários equipamentos ou várias serpentinas ao mesmo tempo. Como as pressões dentro de cada um variam com a carga, o condensado do equipamento de menor pressão não consegue sair, e ele alaga. A solução de manual é um purgador por equipamento, e a diferença no rendimento costuma ser visível.

Linhas com carga variável

Laticínio tem sazonalidade: o volume de leite muda entre safra e entressafra, e linhas inteiras trabalham com carga baixa ou ficam paradas e pressurizadas. Purgador de linha de distribuição e de ramais parados continua lá, quente, e se estiver soprando perde vapor 24 horas por dia sem produzir nada.

Condensado descartado

Muitas plantas jogam fora o condensado de trocadores de processo por receio de contaminação com produto, o que tem fundamento: se uma placa ou um tubo furar, leite vai para o retorno e chega à caldeira. A saída é monitorar o condensado, com medição de condutividade ou turbidez e desvio automático para descarte quando houver alteração, e retornar o resto. Explicamos o ganho no artigo sobre retorno de condensado.

Partidas diárias e golpe de aríete

Muitos laticínios param parte da planta à noite ou no fim de semana. Na partida, a rede fria condensa muito vapor de uma vez e, se os pontos de dreno não dão conta, o condensado se acumula nos pontos baixos e é arrastado pelo vapor em alta velocidade. O resultado são as batidas na linha, o golpe de aríete, que danifica purgadores, juntas e instrumentos. Aquecer a linha devagar, abrir as válvulas aos poucos e garantir purgador em cada ponto baixo e no fim de cada trecho resolve boa parte dos casos. Se as batidas persistirem, há problema de drenagem ou de inclinação da linha, e a situação deve ser tratada com o responsável técnico da planta antes que vire risco.

Isolamento e válvulas nuas

Ambiente úmido de laticínio molha e degrada o isolamento térmico. Segundo o Departamento de Energia dos EUA (DOE), na Steam Tip Sheet #2 (2012), o isolamento reduz tipicamente 90% das perdas de calor, e toda superfície acima de 49 °C deveria ser isolada, inclusive válvulas e conexões. Isolamento molhado perde boa parte desse efeito e precisa ser trocado depois de eliminada a causa da umidade.

E o ar comprimido

Envase, válvulas pneumáticas de processo, embaladoras e sopro de embalagens dependem de ar comprimido. Num laticínio, com mangueiras sendo movidas e lavadas o tempo todo, engates e mangueiras costumam ser os pontos de vazamento mais frequentes. O custo de cada furo está no artigo sobre vazamento de ar comprimido.

Checklist para o gerente de utilidades

  1. Cada camisa, tacho e trocador tem o seu próprio purgador? Há algum purgador coletivo?
  2. Existem by-pass abertos nos purgadores de tachos e tanques?
  3. O tanque de condensado solta pluma forte e constante pelo respiro?
  4. Quanto do condensado volta para a caldeira? O que é descartado tem motivo técnico, ou é hábito?
  5. O condensado de trocadores de produto tem monitoramento de contaminação?
  6. Há ramais pressurizados que não alimentam nenhum consumidor na entressafra?
  7. Válvulas, flanges e purgadores estão isolados? O isolamento está seco?
  8. Alguém sabe o custo do vapor em reais por tonelada?

Se mais de duas respostas preocuparam, o próximo passo é um levantamento de campo. Um diagnóstico do sistema de vapor percorre a planta da caldeira ao último consumidor, testa os purgadores sem parar a produção e devolve as perdas em kg/h e R$/ano, em ordem de prioridade. Na página do setor de laticínios reunimos o que costumamos encontrar nesse tipo de planta.

Uma observação sobre a caldeira: nosso trabalho é de eficiência e funcionamento. A inspeção de segurança da caldeira e dos vasos de pressão exigida pela NR-13 é de Profissional Legalmente Habilitado, e seguimos em parceria com o responsável técnico da planta.

Se o seu laticínio tem alguma dessas situações e quiser conversar sobre ela, entre em contato. Contar a cidade e o porte da caldeira já ajuda a preparar a conversa.

Perguntas frequentes

Onde o laticínio mais perde vapor?

Na nossa experiência, em camisas e tachos mal drenados, purgadores coletivos, by-pass abertos, ramais pressurizados sem uso na entressafra, condensado descartado sem necessidade e isolamento molhado ou ausente.

Dá para retornar o condensado de trocadores de leite para a caldeira?

Sim, desde que haja monitoramento do condensado, por exemplo por condutividade ou turbidez, com desvio automático para descarte se houver sinal de contaminação por produto.

Por que não usar um purgador só para vários tachos?

Porque as pressões dentro de cada equipamento variam com a carga. O condensado do equipamento de menor pressão não consegue sair e ele fica alagado. O recomendado é um purgador por equipamento.

Vamos conversar

Quanto vapor a sua planta está perdendo agora?

Mande a cidade e a quantidade aproximada de purgadores. O Ubirajara responde pessoalmente e diz como pode ajudar.

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