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Purgadores

Como testar um purgador de vapor: ultrassom, temperatura e visual

Temperatura, som, inspeção visual e monitoramento eletrônico: cada método enxerga uma parte do problema. Explicamos o que cada um mostra, onde ele engana e por que combinar ultrassom com termografia.

Por Ubirajara Bastos6 de outubro de 20267 min de leitura
Imagem térmica FLIR de um purgador em linha de vapor, com escala de 15,5 °C a 104,4 °C e ponto de medição na tubulação

"Como saber se o purgador está funcionando?" é das perguntas que mais ouvimos em visita. A resposta curta: olhando, medindo a temperatura e ouvindo, de preferência tudo junto. A resposta longa está neste artigo, porque cada método tem limites, e quem conhece esses limites erra menos no diagnóstico.

Os quatro métodos básicos

O Departamento de Energia dos EUA (DOE), na Steam Tip Sheet #1 (2006), resume os testes de purgadores em quatro métodos: temperatura, som, visual e eletrônico. O objetivo de todos é o mesmo: descobrir se o purgador está descarregando condensado como deveria, se travou fechado ou se está deixando vapor vivo passar.

1. Inspeção visual

Quando o purgador descarrega para a atmosfera, ou quando há um visor de fluxo logo depois dele, dá para ver a descarga. O desafio é separar duas coisas parecidas:

  • Vapor flash: o condensado sai quente, perde pressão e parte dele vira vapor na hora. A nuvem é branca, densa e "preguiçosa", e costuma acompanhar o ciclo do purgador.
  • Vapor vivo: sai em jato contínuo, quase transparente junto ao bocal e só fica branco alguns centímetros adiante, com velocidade alta.

O limite do método é óbvio: na maioria das plantas, os purgadores descarregam em linhas de retorno fechadas. Aí não há nada para ver, a não ser que exista visor ou uma válvula de teste a jusante.

2. Temperatura

Medir a temperatura antes e depois do purgador, com termômetro de contato, pirômetro infravermelho ou câmera termográfica, responde bem a uma pergunta: o purgador está recebendo vapor e condensado quentes? A referência é a temperatura de saturação do vapor na pressão da linha. A 7 bar manométricos, por exemplo, ela fica perto de 170 °C, segundo as tabelas de vapor IAPWS-IF97.

O que a temperatura mostra bem:

  • purgador frio na entrada indica que ele está travado fechado, entupido, com a válvula de bloqueio fechada ou numa linha sem vapor;
  • temperatura bem abaixo da saturação na entrada indica condensado acumulado, ou seja, equipamento alagando.

O que a temperatura não mostra: se o purgador está deixando vapor passar. Condensado e vapor na mesma pressão têm praticamente a mesma temperatura, e a linha de retorno a jusante fica quente de qualquer jeito. Um purgador soprando e um purgador trabalhando bem podem ter a mesma leitura no termômetro.

Há ainda a questão da emissividade. Termômetro infravermelho e câmera térmica leem diferente uma superfície oxidada e uma superfície de aço inox polido. Sem ajuste, a leitura pode errar dezenas de graus.

Imagem térmica FLIR de um purgador em operação, com escala de 20,5 °C a 151,8 °C e ponto de medição de 101,5 °C na tubulação de saída
Termografia de um purgador em operação: a escala vai de 20,5 °C a 151,8 °C e o ponto de medição na tubulação marca 101,5 °C. A imagem mostra onde há calor, mas sozinha não diz se o que passa é condensado ou vapor vivo.

3. Som e ultrassom

Cada tipo de purgador tem um "som" característico de funcionamento. O termodinâmico abre e fecha em ciclos, com estalos bem definidos. O de boia descarrega de forma mais contínua, modulando com a carga. O de balde invertido tem ciclos de abertura e fechamento. O detector ultrassônico capta esse ruído de alta frequência pelo contato com o corpo do purgador e permite ouvir o ciclo, mesmo com a fábrica barulhenta em volta.

Vapor vivo passando pela sede produz um ruído contínuo, sem pausas, típico de escoamento em alta velocidade. Na mão de quem tem prática, o ultrassom é o método que melhor identifica o purgador soprando.

O limite também existe. O condensado quente que passa pela sede gera vapor flash, e o flash também faz barulho. Quem usa só o nível de ruído, lendo um número no visor sem ouvir o padrão do ciclo, pode confundir flash com vazamento ou deixar passar um vazamento parcial. Por isso a interpretação depende de conhecer o tipo do purgador, a pressão, a carga do equipamento naquele momento e o que se ouve antes e depois dele.

4. Monitoramento eletrônico

Existem sensores fixos, instalados junto ao purgador, que acompanham temperatura e presença de vapor ou condensado de forma contínua e enviam alarme. Eles fazem sentido em purgadores críticos ou de difícil acesso. Para um parque de centenas de purgadores, o custo por ponto ainda costuma favorecer a inspeção periódica com instrumento portátil.

Por que combinar ultrassom e termografia

Os dois métodos se completam. A termografia mostra rapidamente quem está frio (travado, bloqueado, fora de operação) e quem está alagando, e ainda revela isolamento danificado, válvulas passando e trechos de linha perdendo calor. O ultrassom responde à pergunta que a temperatura não responde: tem vapor vivo passando ou não?

No nosso trabalho de campo, cada purgador passa pelos dois instrumentos e pela observação visual, e o diagnóstico só é fechado quando os três sinais fazem sentido juntos. É o que descrevemos na página de inspeção de purgadores e na de termografia em vapor e condensado.

Vale lembrar que a perda de vapor medida com precisão é coisa de bancada. Os ensaios de purgadores em laboratório seguem a ISO 5117:2023, que substituiu a ISO 7841. Em campo, o que se faz é diagnosticar a condição e estimar a perda a partir do orifício e da pressão, como mostramos no artigo quanto custa um purgador vazando.

O que o técnico da planta pode fazer sozinho

Mesmo sem ultrassom, uma ronda bem feita já separa muita coisa:

  1. Percorra os purgadores com um termômetro infravermelho e anote os que estão frios na entrada. Verifique se a válvula de bloqueio está aberta e se o filtro está limpo.
  2. Procure by-pass aberto. É comum encontrar a válvula de desvio aberta "provisoriamente" há anos, o que equivale a um purgador totalmente aberto.
  3. Observe descargas para a atmosfera e visores. Jato contínuo e rápido merece atenção.
  4. Olhe o respiro do tanque de condensado. Pluma forte e constante sugere vapor vivo chegando pelo retorno.
  5. Escute os golpes na linha. Batidas na partida ou em mudanças de carga indicam condensado acumulado e drenagem insuficiente.

Essa ronda não substitui o teste com instrumento, mas ajuda a montar a lista de suspeitos e a definir a frequência de inspeção, assunto do artigo sobre purgadores que falham sem manutenção.

Se quiser trocar ideia sobre como testar os purgadores da sua planta, fale com a gente. Às vezes uma tarde de campo junto com a equipe já deixa o método claro.

Perguntas frequentes

Como saber se o purgador de vapor está funcionando?

Combine três verificações: temperatura na entrada (purgador frio indica bloqueio ou travamento fechado), escuta com ultrassom (ruído contínuo indica vapor vivo passando) e observação da descarga ou do visor, quando existir.

Purgador frio na saída: o que significa?

Geralmente indica que o purgador não está descarregando: pode estar travado fechado, com filtro entupido, com a válvula de bloqueio fechada ou numa linha sem vapor. O equipamento a montante pode estar alagado.

Só a termografia basta para testar purgadores?

Não. A termografia mostra purgadores frios e equipamentos alagando, mas vapor e condensado na mesma pressão têm quase a mesma temperatura. Para saber se há vapor vivo passando, é preciso o ultrassom.

Vamos conversar

Quanto vapor a sua planta está perdendo agora?

Mande a cidade e a quantidade aproximada de purgadores. O Ubirajara responde pessoalmente e diz como pode ajudar.

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